Mediação de Rosie {Capitulo 2}

Tomei um banho rapido e liguei meu ipad que tantas vezes escutei antes de dormir pensando no John. Antes de deitar procurei meu celular no vestido e veriquei as mensagens no celular, algumas ligações do John perdidas e recado da mamãe:

Eu o seu pai fomos na padaria buscar seu bolo de aniversário! Heeey! Não esqueça de ligar para Dafine. E Estou trazendo pizza! Um beijo!

Respondi:

Mãe, não precisa disso. Desculpe por não responder estava dormindo. Tá, vou ligar. Beijo.

Mensagem de Dafine:

Ei, o que está havendo? Responda minhas mensagens por favor? Estou tentando falar com você o dia inteiro. Urgente!

Dafine é minha melhor amiga, nós conhecemos no mesmo ano que conheci John, ela me apresentou ele, os dois já eram amigos e moram no mesmo bairro. Eu penso que eu não poderia ter uma outra amiga melhor que ela. Ela basicamente é quem “abre meus olhos” para o perigo da vida. Diz ela que sou muito inocente quando se trata de pessoas que querem “passar a perna” na gente.

Desliguei o iPad e liguei para ela. Eu não estou muito afim de falar com ninguém, mas quando se trata de Dafine, ela vai ficar me ligando até eu atender.

– Alô? Até que enfim – disse ela com tom seco, odiava quando alguém não respondesse suas mensagens.

– Tudo bem? – ignorei o seu tom.

– Eu que pergunto – retrucou ela -agora só porque você tem um namorado não quer dizer que você não precisa responder minhas mensagens, não é mesmo?

– Desculpe – respondi apenas, eu ainda pensava quando ela disse “namorado” – Tive uma briga feia com o John – falei de uma vez. Queria falar sobre isso com ela so  amanha na aula mais quando ela falou em namorado, a dor veio repentinamente  – e ele terminou comigo.

–  O que? – perguntou surpresa, fez uma pausa absorvendo a informação e continou: – o.k.

Sabe amiga, deixa eu te falar uma coisa. Eu ja te disse que eu acho o John um babaca, tudo bem que vocês são bonitinho juntos e tal, mas como amigos, serio! Ele é um babaca, como namorado ele é pessimo e um babaca! – repetiu ela, e eu já tinha ouvido esse sermão várias vezes.

– Eu sei – respondi.

– Não você não sabe. Desde os ultimos anos voçê sempre gostou dele, nunca namorou outro garoto. Precisa namorar outro garoto! – revirei os olhos, la vem ela com essa papo denovo – você é linda, não precisa se agarrar tanto assim com um homem só. Droga, você ia sair com o Leon, e ele estragou tudo.

– Eu não ia sair com o Leon – lembrei a ela.

– Ia sim, só foi o John chegar e falar que estava com ciumes que você se derretou toda –

Pensando bem eu estava agindo como uma completa idiota. O que ele pensa que é para entrar na minha vida assim e caindo o fora? Eu já perdi muito tempo da minha vida pensando nele, como eu pode? – Amiga, eu entendo que você e o John são muito amigos – continuo ela percebendo que eu estava um pouco constrangida – e como amigo, serio, ele é muito bom, a única coisa que estragou tudo é você ser perdidamente apaixonada por ele.
Isso é verdade. John sempre foi um ótimo amigo. Me levava pra casa quando ja estava tarde nas festas. Nunca me deixou beber e fumar, e quando minhas notas caiam, mesmo que as deles estavam mais ruins que a minha, ele me perguntava o que estava acontecendo.

Não consegui dizer nem sequer uma palavra. Minha garganta secou e lagrimas começaram escorrer. Dafine sempre foi contra nosso namoro. E realmente, John nunca foi tão bom como namorado. Além do mais ele nunca namorou também outra garota, apenas ficava com uma por uma semana e logo já estava sozinho denovo. Porque isso estava acontecendo comigo, porque?

– Podemos conversar depois? – respondi, o que eu mais precisava agora é ficar sozinha.

– Tudo bem – enxuguei minhas lágrimas – quando precisar me ligue, jura que me liga? Ou mande mensagem – pediu ela.

– Mando sim.

– Domingo é seu aniversario – lembrou ela. No momento não queria me lembrar do meu aniversário, porque isso me fazia lembrar do desastre da festa de domingo.

– Eu sei – ela estava tentando me reanimar e não queria desligar o telefone, muda de assunto para fazer isso.

– Bem, podemos sair que tal? Depois da sua festa – sugeriu.

– Pode ser

– Tá – concordou ela.

– Tá bom – repeti – Tchau Dafine.

– Tchau amiga – ela respirou fundo – está realmente bem? Sua mãe esta ai?

– Por favor Dafine, serio estou bem, so quero ficar um pouco sozinha – eu disse com a voz mais alta agora.

– ok – respondeu ela já esperando minha reação – Boa noite, então.

– Boa noite.

– Eu te amo não sabe?

– Sim, também te amo.

– Tchau – falei finalmente prestes a apertar o botão de desligar antes que ela diga mais alguma coisa.

– Até amanha.

Coloquei o telefone na escrivaninha e ligue o iPad novamente. Deixei minhas lágrimas terminarem de escorrer. Mesmo sabendo que eu agi como uma completa idiota, indo até a casa dela, acreditando que faríamos as pazes, que amanhã seria como outro dia qualquer.

Que eu fosse sentir o seu abraço de manhã, dando-lhe um abraço e dizendo baixinho no meu ouvido bom dia.

Agora eu entendo a dor que eu estava sentindo. Mesmo que forte e muito doloridada, ao mesmo tempo estava aliviada. Eu estava começando a acreditar que com o termino do namoro a gente poderia voltar ter uma parceria legal denovo. A gente estava brigando muito, e a coisas havim mudado muito desde de quando começamos a namorar.

Queria voltar a conversar com ele sobre as fofocas do colégio, almoçar na casa dele com seus pais sem que seus pais ficassem perguntando a todo momento “e quando vai ser o casamento?”.

Mas ao mesmo tempo eu estava com medo. Havia uma chance de te-lo perdido para sempre. Como seria agora depois de nos termos nos beijado e ter feito amor? Quando eu olhasse para ele me lembraria das tardes que ficavamos abraçados aninhados no sofá?

Eu tinha a certeza que não vai ser a mesma coisa. Mas eu tinha uma certeza. Não queria desistir dele. Eu não consigo imaginar minha vida sem ele. Faria o que tiver ao meu alcançe para que as coisas voltassem como eram.

Sobre a minha vida, eu estava determinada a me dar uma chance. Ainda não estava cem por cento convicta que eu  vou ser capaz de tentar gostar de alguém sem que fosse o John. Mas estou determinada a tentar. Pelo menos agora.

Adormeci rapidamente. Não me importei com a pizza que minha mãe estava trazendo, também não estava com fome. Só sei que estava muito cansada. A última coisa que ouvi foi a porta se abrindo e alguém dizendo “filha?” e eu adormeci completamente.

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continua…

Mediação de Rosie [Capitulo 1/2]

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Eu li duas vezes, repetindo as melhores partes. O nosso namoro não podia ter acabado assim, é claro que não podia. Tudo o que ele havia dito, escrito, era tudo mentira? Nada poderia chegar ao fim coma uma simples discussão, poderia? Talvez não tão simples, mas talvez, só a primeira de muitas?

Sai mais que decidida o certo a fazer. Andei em passos largos e não me importei com quem me observava. Parei na terceira loja de conveniência que encontrei e comprei uma água. Senti uma pontada de arrependimento. Será que estou fazendo a coisa certa? Não estou sendo chata demais indo até lá?

Cheguei a conclusão que já era tarde para voltar atrás. Faltava pouco tempo para chegar a sua casa. E além do mais, eu não suportaria a dor até amanhã, não mesmo.

Caminhei passos mais apressados, antes que anoitecesse e meus pais sentiriam minha falta quanto antes. Eu ensaiava minhas palavras quando chegasse lá em minha cabeça, eu repetia – fale menos ouça mais, fale menos ouça mais – engula seu orgulho, peça desculpas, simplesmente.

Toquei a campainha, sentir uma ânsia encontrar minhas garganta, minhas pernas estavam mais frágeis agora para suportar meu corpo. Ninguém atendeu no primeiro toque, esperei alguns segundos, toquei de novo. Ouvi alguém caminhar até a porta.
Era ele.

Ele pareceu surpreso, mas abatido, com ar de cansado. Eu não disse nada, ainda apenas estava encontrando as palavras. Nada saia, o meu repertório que eu havia planejado para dizer fugiu. Meu coração acelerou quando eu o vi, eu estava cansada, muito cansada.

– Você não atende mais o celular? – perguntou ele quebrando o gelo.

– Você estava me ligando? – Senti meu coração pulsar ainda mais forte. Ele estava me ligando?

Ele simplesmente assentiu, e por um momento o tempo do relógio parecia ter parado. Meu coração pulou de esperanças por saber que ele também queria falar comigo, que também queria conversar. Estava com medo por ele não te dado tanta importância ao que aconteceu.

– Acho que deixei no vestido – menti, pois eu não fazia a mínima ideia donde estava meu celular.

– Queria pedir desculpas, por.. hãan sair andando sem te ouvir – Mais do que já ouviu?

– Eu que devo desculpas – disse saindo com tanta rapidez como de uma sirene.

– Não eu que devo

– Tá tudo bem – eu disse enfim. Observando o contorno dos seus lábios. Eu esperava um sorriso, esperava mesmo. Mesmo que fosse ruim, só queria um sorriso. Então eu sorri. Na verdade toda a dor e a sensação frágil de que meu corpo iria desabar estava mais amena. Sorri por estar me sentindo melhor, sorri para mim mesma, feliz por ter tomado iniciativa.

Pensei nas horas, deveria ser um pouco mais das 18:00 horas e meus pais estariam em casa dentro de trinta minutos. Não queria decepciona-los mais uma vez, na semana passada meu pai me viu sentada na praça com o John quando eu disse que estaria na biblioteca. Eles já me perdoaram, mas eu não poderia perder a confiança deles, não hoje.

– Eu preciso ir embora – eu disse afinal.

– Eu te levo – ele ofereceu. Eu não respondi, simplesmente vi ele dar as costas para pegar as chaves do Jeep. Sentei no carona e fiquei calma o suficiente para não falar besteiras. Eu estava aliviada por não ter uma noite atormentada pela dor de uma discussão.

– Então, está tudo bem? – perguntou ele engatando a ré no carro. Me perguntei se a pergunta soou como se as coisas estão bem comigo, ou com nós dois.

– Sim, está – não cogitei perguntei se ele também estava bem.

– Eu sinto muito, fui muito idiota – Começou ele, eu queria muito conversar sobre a nossa briga, não queria que as coisas ficassem mal resolvidas.

– Não! – falei mais alto que devia – Quer dizer, nos dois fomos muito idiotas. Desculpe pelo ciúmes idiota, a culpa é toda minha!

– Não, não é. Você tinha razão, eu não estou levando a nossa relação a serio como você merece – Me lembrei quando eu disse isso a ele na praça, gritando bem a frente do seu rosto, palavras que depois senti que foi fortes demais.

– O que? Não! – encarei o seu rosto que estava olhando fixo na pista, o seu rosto corou e tive a impressão que ele se segurava para não chorar – Nós somos amigos á cinco anos John, cinco anos! Você sabe o que isso quer dizer? – eu esperei uma resposta, ele não respondeu então continuei:

– Eu sempre fui apaixonada por você, sempre fui. Nunca se quer fiquei com outro garoto porque eu queria você, eu te esperava John, que um dia você quisesse ficar comigo – eu respirei fundo relembrando o passado – até que um dia o Leon pediu para sair comigo, eu não sabia se queria, não mesmo, mas eu estava cansada de te esperar. – meus olhos se encheram de água e eu ainda olhava para ele. Ele continuava olhando a estrada paciente.

– Você ficou com ciúmes, e resolveu dizer que gostava de mim – continuei mas a afirmação saiu como uma pergunta. Eu nunca entendi o fato de John ter me pedido em namoro só quando Leon me pediu para sair. Ele simplesmente teve um surto e disse que queria ficar comigo. Me pediu desculpas por nunca ter me dado uma chance nos últimos anos. Porque não antes?

– Agora eu entendo, você achava que eu iria te esperar para sempre? Ou eu não era tão bonita quanto as outras? – Meus olhos agora olhavam para ele com ódio, eu queria respostas, tudo o que eu mais queria agora era respostas.

John balançou a cabeça, uma lágrima desceu por baixo do seu nariz. Seu corpo estava rígido e continuava fitar a estrada. Na verdade nos dois sabíamos a respostas. John nunca foi o cara de namorar serio, só queria curtir a juventude, era muito jovem para isso. Enquanto eu só queria ele.

Ficamos em silêncio por um momento. Ele cogitou dizer alguma coisa, mas nada saiu, ele parecia tentar encontrar as palavras certas.

– Tenho medo das coisas se perderem – ele disse finalmente?

– Se perderem? – questionei.

– Medo de perder você – respondeu –  não só como minha namorada, principalmente como amiga.

Então, quer dizer que eu era mais como uma amiga?  Meu coração gelou, eu não havia ainda entendido a mensagem. Amiga? Se fosse para contarmos os anos, era cinco anos de amizades e três meses de namoro. O que isso pode significar? Eu estava começando a compreender. Éramos muito mais amigos do  que alguma outra intimidade.

Mais e o amor que eu sempre senti por ele, por anos? Não era amizade.

– Eu sempre amei você John, não era amizade – retruquei.

– Tem certeza?

– O que você quer dizer com isso? – perguntei procurando seus olhos forçando-o a olhar para mim pela primeira vez.

– Desde de quando começamos a namorar, mais brigamos do que temos uma relação instável. – me lembrei dos últimos meses. No primeiro mês brigamos porque eu disse que ele não conversa mais comigo igual de quando éramos só amigos. Depois sobre Leon que ainda insistia em sair comigo. Sobre algumas garotas que ainda ligava para ele, e sem falar sobre a falta de assunto quando estamos namorando.

Ele percebeu que eu estava pensando na possibilidade de eu concordar com o que ele dizia. Parou o carro em um acostamento e olhou para mim. Agora eu olhava para meus joelhos, estavam encostados um no outro em procura de reconforto. Quando olhei para ele, encontrei um olhar compreensivo. Não de namorado, mas sim de um amigo. Ele sorriu e eu sorri também.

– Então, este é o fim? – perguntei finalmente encarando o seus olhos. Pensei nos dias que não iria mais beijar aquela boca. Não mais vou sentir o cheiro das suas mãos que eu mais gosto. Nunca mais vou sentir o toque do seu rosto acariciando o meu.

– Nunca vai haver um fim – ele respondeu segurando a minha mão – você será sempre minha amiga Rosie, a minha melhor amiga – eu não acreditava na ideia de melhores amigos entre duas pessoas de sexo opostos. Mas com John é diferente, não deu certo como namorados, mas queria ele perto de mim mais do que nunca.

Eu apenas assenti e entendi as circunstâncias. As lágrimas desabaram com mais força e ele me abraçou. Me perguntei se esta seria a ultima vez em que ele me abraçaria. Se iríamos nos ver de novo. E como vai ser nosso encontro como amigos na próxima vez. Como nos vamos nos olhar. Tocar.

– eu te amo, Rosie – disse, me abraçando.

– eu também te amo, John – ele olhou nos meus olhos e beijou minha testa.
Eu decidi que não queria mais falar sobre isso. Eu estava atordoada e eu não gosto de mudanças. Então era isso, terminamos? Assim sem mais nem menos? Pelo menos ainda éramos amigos igual antes, não? Tentei relaxar um pouco, queria chegar em casa, relaxar e pensar.

Uma quadra antes de chegar em casa levei sorte por meus pais ainda não terem chegado do trabalho. Desci do carro e dei tchau para John com um beijo na bochecha. Ele disse que amanhã nos iríamos conversar melhor, que hoje estamos com a cabeça quente. Esperei ele sumir na estrada para abrir a porta de casa. E mais incrível que possa parecer, eu estava me sentindo incrivelmente leve.

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Mediação de Rosie [Capitulo 1/1]

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– Eeeeeei! Não precisa ir embora. Eu prometo, eu prometo, vai ser tudo diferente a partir de agora.

O som absurdo ecoavam a praça tão alto que até os pássaros pareciam responder. Ele caminhava tranquilamente pela beira da calçada, contornava os buracos e parecia escutar qualquer outra coisa menos a mim. Minha voz já havia enfraquecido faz tempo, agora eu deveria me esforçar para sair mais voz. No jantar de hoje meu pai irá perguntar: perdeu a língua, Rosie? E minha recruta: não fale assim com a menina, querido!

Ao menos que eu morra antes disso. Minhas pernas já parecem não existir mais, minha garganta lateja, minha cabeça atordoada acompanhada com o vermelhão dos meus olhos. E a única coisa que consigo enxergar com clareza são os passos dele cada vez mais rápidos sumindo a fundo na rua estreita, que agora não parece mais ter carros, arvores ou qualquer outra coisa, apenas a tua imagem, caminhando como uma outra pessoa qualquer.

Os vizinhos em breve ficarão preocupados e logo virão me socorrer, pensei. Então ajeitei meus cabelos mais a frente para tentar esconder meu rosto, vesti meu casaco e andei ao lado oposto do dele. Eu me sinto tão idiota, tão idiota! Querida culpa aterrorizante, você tortura qualquer um. Sabe que, mesmo lá no fundo, lá fundo, mas bem no fundo mesmo, você sabe que não tem culpa nenhuma, e continua insistindo que a culpa é tão cruel, imperdoavelmente sua.

Porque infelizmente você não pode fazer diferente não é mesmo? Você poderia ter ficado quieta. Escute o que ele tem a dizer, o silêncio é o principal saber da sabedoria. Mas o que poderia ser pior, querida Rosie? O que poderia? Você não sabe ser razoavelmente sabia.

Até porque, ninguém é.

Seres humanos, burros pra caralho.

A gente sabe que gritar não adianta, sentir ciúmes, adianta? Chorar adianta? Mas a gente insiste. Isto simplesmente é nada mais nada menos do que viver a vida. E agora, lá está ele, andando cada passo á mais, por minha incrível culpa – mesmo que não inteiramente minha – mais eu poderia ter agido diferente, ter sido mais humana, ter lhe ouvido mais, e talvez no fim, de dizer tanta coisa real ou coisas que não eram para ser ditas, pedir desculpas. Um simples gesto de desculpa, um abraço, talvez.

E daí a gente se beijaria, faríamos as pazes. Nos sentíamos aliviados com isso, mais tardes eu iria beija-lo mais do que nunca, pediria desculpas de novo e faríamos amor.

Mais não, agora ele já esta longe. Imagino entrando na sua casa, jogou na parede a primeira coisa que encontrou pela frente, e chorou, chorou também, do jeito homem de chorar. Ele deitou na sua cama, usou os braços como travesseiro e recapitulou toda a briga como voltar a fita no começo. Lembrou do fim, lembrou me deixando sentada no banco chorando, gritando para que voltasse. Ele não quis voltar, não naquela hora, sentiu que precisava ficar sozinho, o momento era improprio para conversar racionalmente.

Ele sabe, nos sabemos, tudo passou, foi uma discussão idiota. Por ciúmes? Poderia ter sido um ciúmes racional? Ou pelo fato de eu não confiar como deveria em confiar. Que pergunta idiota. Mais idiota que a própria situação. Sou incrivelmente linda, e não o bastante pra nós dois? Criação da minha cabeça injusta.

Meu coração agora quer sair pela boca, meus braços tremem e a única coisa que eu consigo pensar agora é, será que acabou? Minha vida está parecendo um mar negro sem graça, sem cor e que fede a lixo. Sem importância, pra quem me ama, pra quem eu amo. Tudo parece ser um grande lixo. Fedido, e vergonhoso.

Mas agora ele deve estar pensando em mim, eu tenho certeza, eu tenho. Então eu tomo um grande banho, torcendo para que toda a minha raiva desapareça. Treino uma metodologia rápida, repito varias vezes – fale menos e ouça mais, fale menos e ouça mais – respiro fundo a cada dez segundo, fecho os olhos e deixo a água escorrer devagar e morna por todas as redondezas do meu corpo.

Escovo meus dentes e visto o melhor vestido para ocasiões trágicas, preto com renda por cima. Visto sapatilhas azuis com a ponta dourada e não passo maquiagem, para não parecer estar tão bem assim. Abro minha caixinha de lembranças, onde tem muitas cartas, cheirei a minha preferida, John me escreveu quando completamos um mês de namoro e também era meu aniversário. Nela dizia:

Feliz aniversário urso panda!

Basicamente neste dia você tem três pedidos (mas que eu não prometo que vou cumprir)

1- escolha aonde você quer passar o seu aniversário. Só não vale ser na minha piscina, porque isso foi no ano passado. E nem na sua casa, é claro. Isso depois da sua festa. Eu vou levar um vinho, aquele que você odeia, e os restos de bolo da festa. E como na tradição de todos anos, temos que comprar o bolo especial, aquele que só nos dois comemos

2- o sabor deste bolo eu vou deixar você escolher. Porque nos últimos anos foi eu que escolhi, e quase todos você não gostou, porque eu gosto mais de chocolate preto e você do branco. Mas tudo bem. See você pensar bem pode ser mesclado, dos dois, o que você acha?

3- você pode escolher um presente em especial também. Fora o que eu já vou comprei, que você já sabe o que é. E este eu prometo que vou realizar. Seja razoável, ok? Obs: Vale questionar, é justo.

Além de tudo eu quero que você saiba que você foi a melhor coisa que me aconteceu. Esqueça os que os outros falem, eu não me importo. Eu só tenho a certeza que eu gosto que você cuide de mim, e pega no meu pé pra prestar atenção na professora e não me deixar fumar quando me oferecem.

Você é um anjo.

Não quero pensar que vai dar tudo errado, e que nem que dê cem por cento certo, porque eu tenho medo medo de as coisas serem dificies como foram para mim em outros relacionamentos. Eu so quero que seja especial. Quero que cada minuto com você o tempo não mude, e que eu esqueça por completo os problemas da vida.

Eu te amo e você sabe disso.                                                                                                                                John

continua…