Desafio literatura brasileira {4/100}: Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis

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Olá, leitores.

Está é uma das partes que eu mais gosto de escrever aqui no blog, trazer surpresas para vocês. Seria estranho dizer que, ler Machado de Assis foi uma experiência ótima, radiante, e que até eu mesma me surpreendi. E você pensa, e se lembra da escola, da primeira vez que você pegou o livro do Machado, leu algumas paginas e pensou: “O que que é isso?” Sem entender nada, sem compreender a história e seguir adiante.

Bem, após muitos anos, lá vou eu, ler este enigma, que muitos só de escutar, já estremecem, e querem passar longe deste autor. Por incrível que pareça, foi um ótimo livro, e ainda mais que isso, compreendi o maior erro que as escolas cometem. Mas este, será um assunto do próximo post.

Para começar, este livro é contado por um defunto-autor. Isso mesmo, o protagonista já morreu, e conta sua história, iniciando da sua morte. Toda a trajetória da sua vida, é ironizada, pelo próprio autor. Tudo o que desejastes fazer, como ser ministro, ter a mulher amada, nada acontece, concluindo então, no fim da história,  o desastre da sua vida. As poucas pessoas que foram no seu velório, os desejos que não conseguiu realizar, os erros, e dentre outras coisas.

Além disso, este livro não é um romance, e mais, o próprio autor ironiza os romances, passando muito longe de um. Mesmo que viva amores na sua vida, não os tratem com certo romantismo. Exemplo, namorou uma moça “coxa” por ser coxa, Marcela foi a mulher que na qual ele presenteava sempre com joias, mas quando pediu para que fosse embora com ele, ela não quis. E por fim, Virgilia, quer era casada com Lobo Neves, um homem de grande reputação, na qual Virgilia nunca deixou-o.

Assim, é de aspecto realista, oriundo da verdade, real e objetivo. Não se encontra aspectos de amor, autoestima, onde a vida é bela. Encontra-se um homem decepcionado, sem muitas realizações e amuado. Critica e ironiza tudo e a vida. Assim é Brás Cubas, até um pouco mimado, um homem de pouca integra.

Em relação a linguagem, eu esperava um pouco pior. Quando eu era criança, achava a literatura bem difícil, pelo menos era do que eu me lembrava que temia. No entanto, o que é difícil não é a linguagem em si, mas sim todo o conjunto do contexto, a linguagem, a forma como Machado escreve, de forma lenta, gradual (em que ele mesmo menciona no livro). Ou seja, o que ele escreve e como ele escreve. A todo momento, ele reflete, ele pensa, e faz reflexões extensas. Está foi a parte mais difícil, mas ao mesmo tempo, é uma qualidade único e exclusivo do livro. È o que diferencia e o torna especial.

Bom, espero que tenha gostado. E não se esqueçam, perca o medo, enfrente Machado! ;*

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Desafio literatura brasileira [3/100]: Dois irmãos de Milton Hatum

Olá, querido leitores..

Após uma profunda e turbulenta fase da minha vida, resolvendo problemas que hoje estou muito contente de ter solucionado, venho com esta resenha maravilhosa, de um livro maravilhoso, que mesmo por ter sido uma leitura para o vestibular, descobri um autor brilhante em nossa própria literatura brasileira. Além disso, estou surpresa por ter encontrado um livro tão bom quanto os estrangeiros. Confesso que eu imaginava que os livros brasileiros grande parte eram poucos cativadores, agora descobri que não. Oh! Deus, que viagem incrível. Este livro é um Viagem! Temos Milton Hatum um escritor com o estilo de escrita totalmente diferente, que todos precisam descobrir.

Vamos a história. Omar, e Yakub. Dois irmão gêmeos completamente diferentes! Omar (O caçula) mimado pela mãe, e preferido dos gêmeos pela Zana (a mãe). Consequência: um filho delinquente, que viverá apenas na miséria, em altas aventuras amorosas, baladas, muita bebedeira, sempre pelos motivos as quais a mãe, disposta a passar a mão e ajudar.

Yakub (o filho que levava menos atenção) mandaram-no para o Libano, e quando voltou, em pouco tempo se mudou para cidade grande para estudar e se formar. Casou-se e visitava a família sempre que possível. Diferente de Omar, Yakub é atencioso, sereno e inteligente.. sempre mais distante ou menos despreocupado co os problemas da família. Ele, um homem agora bem sucedido, aprende á como se manifestar diante da família, ao ódio do filho bastardo, ao ciúme doentio da mãe, que dá atenção exagerada ao seu filho caçula.

No outro lado da moeda, convém Halim, um homem perdidamente apaixonado por Zana, que a queria á todo momento, diante de um amor exaltante, fervescente. Mas Zana, após o nascimento dos gêmeos, só tinha olhos para eles, principalmente para O Caçula. O ciúme consiste até mesmo quando o  filho é adulto, é a grande causa dos desmanches e horrores que acontece na casa. Halim sofre muito, sofre em toda a historia até o momento que é o primeiro que morre.

A história narra o inicio até o fim da vida desta família. Apartir do momento em que os gêmeos nascem, até a morte dos pais e fim da família. Quem sobra é quem conta toda a história. O filho de Domingas, a “empregada” da casa, que foi adotada quando criança. Ele, o filho de Domingas conta toda a narrativa, em que ele presencia a todo momento, além dos mais ilustres desabafos do velho Halim. Mora em um quartinho no quintal na mesma casa com sua mãe, na qual no fim, também acaba sozinho no mesmo lugar de sempre.

Além de toda a trama atraente e cativadora, eu não consegui dar um ponto final na historia. O filho de Domingas agora, naquela casa, sozinho, com seus livros, escrevendo suas histórias, como fica? Sabe aquela “intimidade”, aquela aproximação, afeto por um personagem, que você não quer largar, quer entrar na história, abraçar o personagem, e dizer que amou tudo, que lamenta por tudo, e que gostaria muito dar uma longa prosa com ele… Além do mais, tem Rania, a filha também de Zana, encalhada, que não quer namorados, ignora seus pretendentes, e que toda sua atenção era para a loja da família… E que Omar, agora um desmiolado de vez, sem casa, sem vida, vivendo em bordel em bordel, bebendo, se aventurando na desgraça…

Dar um fim nisso tudo ainda está difícil. Só sei de uma coisa. Lerei mais livros de Milton Hatum, este homem  que me fez apaixonar por vez por literatura brasileira…

Sobre Milton Hatoum

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Quem poderia dizer, que não existem grandes escritores na nossa atualidade. Porque não dizer, que muitos podem se apaixonar pela literatura lendo Milton Hatoum. Nasceu em Manaus, romancista, contista, professor e tradutor. Estilisticamente, a prosa de Hatoum varia pouco de livro a livro. De forma coloquial, em especial Dois irmãos, escreve de maneira cativante, sem escapar qualquer detalhe extremo da narrativa. Pretendo com certeza ler muitos dos teus outros livros.

Para conhecer mais:

muito obrigada Hatuom! Um ótimo desafio.

Um grande abraço, leitor!

Sermões do Padre Antônio Vieira

Queridos leitores,

Diante do mais intrincado desafio que pude eu mesma me desafiar, foi com o livro Sermões do Padre Antonio Vieira, que não só a vontade imensa de ler o livro e de entender de fato os elogios e a criticas que os sermões trouxe para a época, mas também a eficiência da atenção, concentração e bom engajamento linguístico na forma com que Vieira escreve e exige na leitura.

Mais que isso. Se você tem uma carga linguística como eu, nada habitual aos dos 500 anos atrás, foi muito difícil ler palavras bem diferentes do que estamos habituados na nossa era. Vieira escreve assim, muitos jogos de palavras, comparações, que reforça a atenção do leitor. A perca de uma oração, lesiona todo o restante do sermão, parecendo não fazer mais sentido.

Fico feliz por ter lido este livro. Não é monstruoso como parece. Além da maneira como foi escrito, a carga intelectual é imensa! E quando digo imensa, é imensa mesmo. Os sermões, mesmo que chamados assim, sermões de um padre, o conteúdo não só apenas é relacionado á igreja, dogmas, sacramentos, e outros elementos cristãos. Para falar a verdade, eu que não sou nem um pouco apegada á dogmas religiosos, fiquei encantada com o livro, e com a quantidade de informações e conhecimento que este livro pode proporcionar.

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È claro que na edição que eu li, foram selecionados alguns sermões de Vieira, não todos, apenas os mais famosos. Pois li em um artigo que Vieira escreveu mais de 200 sermões. Não só no Brasil, mas também em Portugal. Dentro deles, o padre, mesmo que no século XVII, disse coisas que profundamente, me produziu um desejo de que ele estivesse aqui, hoje, para dizer para todos e para muitos, o que precisavam ouvir.

Para começar, o sermão do Bom ladrão, foi o que mais gostei, e que na minha opinião foi o sermão que mais trouxe uma carga de informações esplêndidas, que tem tudo haver com o que estamos vivendo em nossa realidade. O padre critica a corrupção, os roubos dos reis, príncipes e dos maiores nomes de pessoas autoritarias para a sociedade. Critica severamente as ações injustas e muito frequente, não só naquela época mais até hoje, sobre as mais cruéis formas de roubar e de injustiça. Ele mostra como estas pessoas de alto cargo podem se salvar, ou, como na maioria das vezes acontece, continuam sendo o que são e o que fazem, e o fim que os espera, é claro, o inferno, em que ele deixa bem esclarecido.

Além deste, o Sermão da sexagésima, esclarece, a grosso modo “ensina” os pregadores como devem pregar. Achei muito válido, pois, percebo muito (em qualquer esquina, em qualquer cidade, em qualquer lugar que alguém esteja) como existem pessoas que pregam de forma perdida conexas em fatos, realidades, pretextos, sem nenhum argumento concreto. Sinto cruelmente, que está realidade existe. Muitas, muitas novas formas de pregações incertas ocorrem em nosso cotidiano, o que seriamente neste sermão, é uma grande lição, e que achei muito valido, principalmente para quem é pregador, que lessem este sermão, de extrema importância para quem pratica pregações.

O Sermão dos peixes para ser sincera, me impressionou pela jogo de comparações, e de estilo de escrita que este sermão propôs.Comparações tão bem sinuosas, das pregações com os peixes. Achei fantástico! Não existia a possibilidade de não aproveitar o máximo das informações que este texto trazia, de alta riqueza de conhecimento.

Queridos leitores, espero que tenham gostado. Eu adorei, foi uma experiência incrível.

Uma dica que eu dou, é que não se assustem, não é porque o livro é de linguagem um pouco robusta, um livro antigo e de autor que não traga muitas expectativas, que o livro possa ser ruim. Vá com fé, abrace-o e o usufrui-o o máximo, que garanto que não se arrependerá!

Sobre o autor: Padre Antônio Vieira

 

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Padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em 1608, e morreu na Bahia, em 1697. Com sete anos de idade, veio para o Brasil e entrou para a Companhia de Jesus. Por defender posições favoráveis aos índios e aos judeus, foi condenado à prisão pela Inquisição, onde ficou por dois anos.

Fonte/mais informações.