Cartas de amor #5

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Meu anjo,

Como você está? Fiquei tão feliz e triste ao mesmo tempo com a sua carta! Você me fez pensar muitas coisas, e realmente, você tem razão. Estou sendo estúpido absorvendo toda esta culpa á mim, tudo o que minha mãe anda me dizendo. Você, estou preocupado. Achei que problemas de mentira é uma vergonha para mim de ser assumidas, mas você não teve medo, você diz, eu me sinto envergonhando, me desculpe.

Não quero que você se sinta assim. Tem alguma coisa pelo o que eu posso fazer? Queria estar ai para te levar para algum lugar, bem longe, aonde a gente não pudesse “ouvir” coisas pelos quais as pessoas que mais amamos nos diz. Parece errado, mas não é. Se eu absorvesse tudo o que minha mãe diz, basicamente eu estaria louco.

Amor, vamos fugir? Eu juro. Estou doente, gastrite, e como você sabe o meu salário aqui como jardineiro não é grandes coisas. Eu iria busca-la, para onde você iria comigo? Eu gostaria de ir para Holanda, um dia destes eu estava assistindo a televisão e vi uma reportagem a respeito. Eu poderia leva-la para lá se quisesse….

Lá tem tulipas vermelhas, podemos morar em um condomínio simples, e longe dos problemas, poderíamos construir uma vida juntos. Sem devaneios, apenas pedras no caminho, aquelas que a gente tira do trajeto juntos.

Esta história, dos seus pais, eu lamento. Tenho certeza que sua mãe absorve tudo isso tanto quanto você, ela apenas diminui a intensidade das coisas, e tenta transforma-las em algo bom. Mas sabemos que isso não é possível anjo, não é mesmo? Não sei se eu ficaria confortável aqui sabendo que você irá morar sozinha. Tenho medo, aí em São Paulo acho as coisas muito perigosas. As coisas são diferentes, e pelas coisas que eu vejo na televisão eu fico aterrorizado com esta ideia, onde tudo cresce muito rápido.

Uma das fotos que estou te mandando junto é minha mãe e meu pai juntos quanto eu tinha treze anos. Quem está batendo a foto sou eu, e pelo o que me lembro, este riacho era próximo a minha casa nas proximidades da estrada. Eu encontrei ela no lixo de casa, não sei porque, minha mãe adorava esta foto, também não tie a audácia de perguntar. Então pensei eu mandar para você.

A outra sou eu quando eu tinha oito anos. Era aniversário do meu avó e meu pai me colocou de castigo porque eu estorei uma bombinha perto do meu avo sem querer, por isso está minha cara de emburrado. Fiquei sentado lá até a festa acabar. Nem comi bolo.

Vai ficar tudo bem meu amor. Um dia as coisas vão se ajeitar você vai ver. Eu aguardo ansiosamente a sua carta. Te amo.

Rafael

Cartas de amor #4

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Oh meu Deus, amor! Porque você não me disse antes? Não entendo, qual o problema disso? Escute, eu entendo perfeitamente o que aconteceu, foi errado, foi muito errado. Mas sabe, a vida é isto, é vivendo e aprendendo, e pelo o que você me disse você está arrependido e é assim que se aprende.

Tua mãe também – não sei se posso dizer assim – deveria te dar uma chance, uma chance de você se explicar, ou sei la. Dizer ao menos o que você esta sentindo, eu sei que isso doí querido, e estou lamentando por você aqui agora, eu juro. Sabe o quanto eu queria estar com você aí agora? Vocês faz ideia?

Com certeza se eu estivesse aí, eu iria dizer “querido vá ver seu pai! Talvez o pior pode acontecer…” Mas eu entendi perfeitamente, você achou que seria igual á tantas outras vezes, á tantas idas ao hospital, como se fosse rotina, como se fosse normal. E então todas as vezes ele voltava para a casa, mas nesta não… nesta ele se foi. Ah, amor, eu lamento muito, muito mesmo.

Eu nem sei o que dizer, ok, quer que eu diga? Essa semana foi pessima para mim também. Motivos muito menos piores que os seus mas, o suficientes para me abalar. Descobri que meu pai está traindo minha mãe, na verdade, descobrimos juntas, eu e minha mãe. E advinhe só? Ela o perdoou. Estamos discutindo isso todos os dias, gritamos uma com a outra á noite quando meu pai está em um lugar que ele diz chamar de “encontro da igreja” aonde eu sei muito bem aonde vai.

Minha mãe acreditou quando ele disse “eu prometo nunca mais fazer isso!” agora eles fazem amor todos os dias, e… você sabe, estão no alpice da paixão de novo, minha mãe acredita não merecer coisa melhor. Estou pensando em sair de casa, seriamente. Não queria deixar minha mãe sozinha é claro, mas eu certamente não posso tomar as atitudes por ela. Eu tento dizer, grito, choro para que ela entenda como ela está sendo estupida com a sua decisão. Mas o que mais eu posso fazer? Eu não estou suportando ver meu pai beija-la todas as noites quando chega, como se eu não soubesse á verdade, mesmo que eu o ame, pois eu não posso deletar a ideia dele ser meu pai, acima de tudo.

Sabe amor, você não precisa ficar com medo de me perder. Uma coisa que eu aprendi nessa vida – acho que até a mais importante das lições – é que erramos, temos muitas falhas, e mesmo que a gente tente não errar, não dá, porque esta é a real objetivo da vida, aprender coisas errando, e no ultimo ano da nossa morte, a gente se orgulhar por ter feito o que a vida vale a pena, aprender e amar.

Me dê mais noticias. Aguardo a sua carta.

Te amo, Rafael.

Cartas de amor #3

wpid-925765b2f0e890e7717d7ebd02685ce9.jpgQuerida Tereza,

Fiquei triste por sua carta, me desculpe, me desculpe mesmo! Sabe, naqueles três dias que passamos juntos, foram os melhores da minha vida. E mesmo com o meu coração ainda partido naqueles dias, você me fez renascer, e me fazer ter alguém de novo, e este alguém sempre foi você, até o momento em que você apareceu e mudou tudo.

Você tem razão, eu sou um idiota. Vou te dizer tudo o que está havendo. Sei que relação nenhuma sobrevive sem amizade e lealdade, então, é isso que vamos construir, temos que fazer isso.

Anjo, eu confio tanto em você. So tenho medo de magoa-la, de você sentir medo e sei la, repensar sobre o que você pensa por mim, e… me deixar. Desculpe por pensar estas besteiras, mas já fui abandonado antes e, eu morro de medo disso acontecer denovo.

Você é tão doce, delicada, e compreensiva.

Esta semana foi um pouco complicada para mim, como sempre está sendo nestas semanas passadas. Meu pai morreu. È. Ele morreu. E estou muito mal por isso, sei la, não ter ido visita-lo no hospital. Eu sei, eu sei, que cruel não? Mas estou arrependido e me corroendo por dentro por isso.

Achei que fosse ser como foi as outras vezes que ele foi internado. Ele passou mal na noite de sábado, eu levei ele lá. Depois no dia seguinte eu liguei para o hospital e disseram que ele ainda estava na mesma, mas que não haviam riscos.

Então, eu achei que ele viria para casa logo, como sempre aconteceu as outras vezes. Se passaram três dias, e eu ocupado com o trabalho, não fui vê – lo e então, na noite de terça-feira por volta das dez horas, eu estava chegando em casa e indo tomar banho, o meu celular tocou e o hospital me disse que ele havia falecido.

Eu não resisti. Minhas pernas fraquejaram no momento e eu achei que fosse morrer também. Mas morrer de culpa. Eu só achei que ele estava mal, como as outras vezes, milhões de vezes que ele já tinha ido para o hospital. E minha mãe agora, me culpa por isso todos os dias. Porque eu também recusava as caronas para ela ir ve-lo, e isto está doendo anjo, porque eu não me despedi do meu pai. Dei mais importância a minha vida do que a ele, quando ele mais precisava.

Também estou arrependido por não ter passado tanto tempo com ele. Por não ter dado boa noite todas as noites, ou sei la, você entende, não entende anjo? Sinto muito, ah, espero que você me responda. Espero não ter perdido você também com esta carta.

Te amo.
Rafael

Cartas de amor #2

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Querido Rafael,

As coisas estão muito bem por aqui. Decidi o que vou fazer na faculdade, literatura, não poderia escolher um curso melhor. Tudo basicamente sobre as coisas que eu amo. Livros, textos, escritores, idade moderna… Sabe, eu não poderia dizer que a minha vida mudou completamente após eu ter te conhecido. Você me fez ter mais clareza sobre meus desejos, e olhar o mundo com outros olhos. Aquele que em todas as coisas, você encontra alguma coisa que pode se apaixonar.

Eu entendo. Você demorou para me escrever, e bem… confesso que fiquei um pouco confusa sim. Você me deixou ansiosa, e por um minuto (me desculpe por isso) imaginei que você tivesse desistido de mim. Ficar aqui esperando a sua carta, sem respostas. Não saberia o certo como reagiria se você tivesse demorado ainda mais sem me mandar a carta. Mas confesso que, a primeira coisa que eu fiz quando ela chegou no meu correio foi rasga-la ali mesmo, em frente a caixinha em frente a minha casa com as mãos tremulas.

Meu coração está acelerado, agora, aqui neste momento. Escrevendo esta carta sem saber nem direito o que dizer. Eu queria que você me dissesse o que está havendo. Mas não me importo. Na verdade importo sim. Mas não importo por você não querer me contar, porque eu sei que você deve haver motivos para isso, e bem, eu confio em você. Com certeza em algum dia, nos seremos não só dois bobos apaixonados, mas também grandes amigos, o que exatamente sei que isso está sendo construído. E quando esse dia chegar, não vou esconder nada de você.

Mas fique tranquilo, tudo vai ficar bem. Quero que saiba que sempre vou estar aqui. Imaginando no dia que este tormento de só ficar “imaginando” acabe logo.

Fico feliz pelos vasos. Quero ver mais fotos. Esta semana passei em uma livraria e adivinhe só, comprei romances, muitos romances. Sempre comprei romances, mas não muitos. E então, parece que ultimamente eles parecem me chamar atenção. Quero ler historias de amor sem fim, aqueles que fazem nosso coração arder, chorar as vezes e depois dormir pensando no livro. Espero não parecer boba demais.

Rafael, não quero ficar me dizendo que a vida passa rápido demais. Quero que ela passe devagar, bem devagar. Sei que nosso encontro vai demorar, então, atrase o tempo, por favor. Queria passar todos os minutos da minha vida com você, acordar ao seu lado. Sentir a presença. E todas as vezes que eu acordar ao seu lado, eu vou me lembrar dos dias que eu não acordei.

Vou me lembrar do café da manhã que eu tomo sozinha, o almoço que eu faço só pra uma pessoa, e toda a decoração do meu quarto só do meu jeito. E dai, hoje eu penso “como eu sinto falta de um homem aqui para tomar café comigo, propor um toque masculino neste lugar…” Tudo ficou chato quando digo “só eu”.

Ha três coisas que eu preciso dizer. Sinto sua falta quando fico muito tempo longe das suas cartas, pare de atormentar meus pensamentos, e, estou começando a pensar que talvez, o meu amor por você está maior do que eu pensava que fosse.

Beijos, Tereza.

Cartas de amor #1

 

Olá, Teresa

Talvez você devesse saber que as coisas não andam tão fácies por aqui. Escolhi um caminho, e acho que devo lidar com as consequências. Me desculpe se as vezes eu pareci ausente. Idiota demais. Eu sei. Me desculpe. Espero que você compreenda que, o que a vida está tentando me dizer eu não esteja entendendo muito bem. Mas estou feliz por ela ter me dado você. Está rara preciosidade que eu conheci. Se não fosse por este acaso (que não acredito muito que foi mesmo um “acaso”) eu estaria completamente perdido. Bom, acho que está não é uma boa maneira de começar uma carta.

Estou fazendo algumas mudanças na minha casa. Uma delas, foram as cores dos vasos que eu pintei, e coloquei na janela, inspiradas em você. A primeira pintei de amarelo com listras douradas. Me lembra o seu cabelo, que me lembra a Catedral quando é Natal. Plantei margaridas, sem flores ainda, mas com certeza ficaram lindas. Na segunda pintei o vaso de branco, sabe porque? Me lembra as suas pernas, sei porque naquela foto que você tirou á noite, suas pernas realçaram ser muito brancas. Nela eu plantei Kalandivas alaranjadas. Você vai gostar.

Mas então, como estão as coisas? Espero ouvir a tua voz logo. Ainda não podemos, não é mesmo? Mas estou ansioso. Você é linda, disso tenho certeza. Tudo o que me mostrou até hoje com as fotos, me deixa ainda mais encantado. Sabe o que eu faço após o jantar? Ligo a minha caixa de som em um volume considerável, não muito baixo, nem muito alto, e escuto varias e várias vezes as musicas que eu mais amo. Deito na minha cama, e imagino diversas maneiras como poderá ser o nosso primeiro encontro.

Já imaginei na beira de um lago, talvez um piquenique, e conversamos o que basicamente já falamos várias vezes. Mas era importante ouvi-las saindo da sua boca. Já imaginei em uma mesa de café, se fosse inverno seria bronwie com chocolate quente, e no verão, um simples café com cuca italiana.

Como eu espero por este dia. Tomara que não demore.

Com amor, Rafael.

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Olá. Se você está perdido, não se preocupe, pois irei explicar tudo. Está é a historia de Teresa e Rafael. E está não é a primeira carta que ambos escrevem. Para ser sincera, já faz alguns meses que fazem as trocas, mas não muitas. Eles se conheceram em uma viagem, na qual Teresa viajou com seu pai á trabalho. Assim se apaixonaram. Devido a distância, trocam constantes cartas de amor. Rafael é carteiro, então de forma rustica, trocam as amadas cartas. Porém, muitas coisas acontecerão. Após os meses de paixão, declarações de amor e afeição, este romance via cartas não pode continuar sendo o que é, com isso as circunstancias pede um desfecho, á algo mais concreto. Não perca as futuras cartas: {clique aqui}
Franciele Miloch